Os adultos são assim

“…Tenho sérias razões para crer que o planeta de onde vinha o pequeno príncipe é o asteroide B 612. Este asteroide foi visto apenas uma vez ao telescópio, em 1909, por um astrônomo turco. Ele havia feito, na época, uma grande demonstração de sua descoberta num Congresso Internacional de Astronomia. Mas ninguém acreditara nele por causa de suas roupas. OS ADULTOS SÃO ASSIM. Felizmente para a reputação do asteroide B 612, um ditador turco impôs a seu povo, sob pena de morte, que se vestisse à europeia. O astrônomo refez sua demonstração em 1920 num terno muito elegante. E desta vez todos concordaram com ele…” (Saint-Exupéry, 2015, p.19)

Assim como dito no pequeno príncipe, um clássico lançado em 1947, algumas pessoas só lhe dão crédito se exteriormente mostrar algo que, às vezes, você não é! Pois, “os adultos são assim”. De certo que não é tão simples como possa se pensar; ser o que você realmente deseja ser ou vestir o que lhe der na telha em qualquer ocasião. Um juiz de direito nunca poderá chegar de bermuda, óculos de sol, portando uma prancha de surf em baixo do braço em um tribunal dizendo: “Demorou brow; já é! Vamos começar o bagulho, quero dizer, o julgamento; morou?”. Que crédito lhe seria dado? O público espera sempre um padrão vestual, bem como um comportamento moral e ético básico condizente com a função a quem foi confiado, pois, “os adultos são assim”. Talvez os adultos tenham medo do novo, fobia a mudanças. A mudança pode lhe trazer confusão. Às vezes no básico, esperam ser convencidos pelo que você mostra exteriormente, mesmo estando completamente vazio interiormente. Tudo por conta de uma entonação de voz, uma beca bonita, um perfume francês barato, um corte de cabelo clássico, porém garboso. Ou talvez os adultos sejam apenas chatos! #ProntoFalei. Não tem como; na maioria das vezes julgamos o livro pela capa, mesmo que por dentro as páginas estejam em branco

Em alguns casos incorporamos esta transformação da personagem exigida pela sociedade vinte e quatro horas por dia. Nem sempre queremos isso. Nem sempre somos assim, mas parece que aquilo não sai de nós. É como se, de algum modo, esta persona fosse nossa pele. Não tem como arrancar, caso contrário, vamos sangrar.

Quando chegamos em casa, podemos tirar nossas máscaras. Nosso filhos, amigos, esposos e esposas e até mesmo nossas comunidades não precisam de conviver com um juiz de toga, de tom arrogante, como quem tivesse engolido um Tiranossauro Rex. Para piorar a situação, por incorporarmos esta personagem, agimos também desta forma com Deus, só que Ele vê além de nossas roupas, títulos, sentimentos e mascaras. Ele sonda nosso coração Jr 17.10, contempla o mais profundo e o escondido, ainda que encubramos Sl 139.8, nada fica oculto aos olhos do pai. Ele te conhece e sabe quem você é de verdade.

Conclui-se que, ainda que tenhamos que figurar na sociedade uma personagem que por ela nos é exigida, porque, “os adultos são assim”, seja você mesmo sempre que puder, ou melhor, seja o que Deus quer que você seja. E por último, sejamos espiritualmente sempre como crianças, que não possuem as restrições dos adultos. Lembre-se “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos” (Saint-Exupéry, 2015, p.72)

Então disse Jesus: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas”. Mt 19.14

Reflitamos!

n’Ele
Thiago Granha

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